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Existem cada vez mais adolescentes e cada vez mais pais com bebés e crianças pequenas interessados na alimentação vegetariana, vegan e crudívora. Contudo, até as pessoas que fazem esta escolha alimentar para si, de certa forma mostram algumas preocupações na hora de alimentar assim os seus filhos, e o receio mais comum é que a alimentação vegan não seja suficiente para garantir um crescimento e desenvolvimento cerebral normal. Até aqui entendo perfeitamente – afinal qualquer pai quer o melhor para os seus filhos, daí as preocupações. Talvez algumas delas fossem válidas há alguns anos, pelo simples facto de que pouco ou nada se falava naquela altura sobre a alimentação de origem vegetal. Contudo, hoje em dia estamos a nadar num oceano de informação e nada disto faz sentido neste momento. Nos últimos anos temos tido grandes progressos e a alimentação de origem vegetal equilibrada e variada tem sido alvo de cada vez mais estudos e discussões. Já tivemos estudos científicos de Univerisdades com grande reputação a nível mundial, que não tinham resultados nada favoráveis ao consumo de lacticínios. A Organização Mundial da Saúde já fez vários comunicados que relacionavam o consumo de doses mínimas de carnes e o aparecimento de cancros. A Direcção-Geral da Saúde em Portugal publicou um manual sobre a alimentação vegetariana na infância, que os pais podem imprimir e levar para as escolas e infantários. A própria Associação Americana de Dietética publicou um estudo científico (chamado Position os the American Dietetic Association: vegetarian diets), no qual podemos ler que “as dietas vegetarianas equilibradas e apropriadamente planeadas (incluindo a alimentação totalmente vegetariana ou totalmente vegan) são saudáveis, adequadas do ponto de vista nutricional e podem ser benéficas na prevenção e tratamento de algumas doenças. As dietas vegetarianas bem planeadas são adequadas para indivíduos em todas as fases de vida, incluindo gravidez, amamentação, primeira infância, adolescência e atletas”.

Cada vez mais, vemos estas ideias validadas pela ciência, validadas por adultos que comem desta forma, e inclusivamente por pais, que alimentam assim os seus filhos desde o nascimento. Já temos gerações que nunca provaram o sabor dos produtos animais. Já temos pessoas que neste momento estão nos seus sessentas e setentas, e são veganos ou crudivoros há 30 e até 40 anos – em perfeita saúde e forma física longe daquilo que estamos habituados a ver na terceira idade. Tudo isto é real e também tem a sua validade.

Provavelmente uma das grandes preocupações das pessoas quanto à alimentação e crescimento dos seus filhos prende-se com o consumo de cálcio. Infelizmente, ainda temos muitas pessoas que acreditam que a úica maneira de obter boas quantidades de cálcio é ao beber leite de vaca e consumir os seus derivados, o que simplesmente não é verdade.

 

Temos excelentes fontes vegetais de cálcio, muito mais facilmente digeridas e assimiladas, tais como:

 

- vegetais de folhas verdes

- frutos secos

- sementes

- leguminosas

- leites vegetais

 

Se tudo o que se diz sobre o cálcio hoje em dia realmente fosse verdade, os países com consumo mais elevado de cálcio teriam menos problemas ósseos e o que se observa é precisamente o oposto. Quanto maior o consumo de leite animal e derivados do leite, mais são os casos de osteoporose e outras doenças cronicas e inflamatórias. Obter boas quantidades de cálcio é muito facilmente alcançável com uma alimentação vegan e até mesmo crudívora, variada e equilibrada. O que a ciência nos mostra em termos de dados concretos é que os rapazes vegetarianos crescem em média com 2,5cm e as raparigas vegetarianas com 2cm mais altos, em comparação com os seus companheiros que se alimentam com produtos animais. Vários outros estudos com vegetarianos e veganos mostram de forma consistente que as crianças vegetarianas crescem pelo menos tanto (ou mais) que as crianças com alimentação convencional, portanto, para quem ainda se guia por estes critérios para escolher o que a sua família deve ou não comer, penso que realmente não há motivos de preocupação quanto ao crescimento e desenvolvimento dos filhos. Tudo se resume a criar uma alimentação variada, abundante e simplesmente desfrutar dos benefícios da alimentação de origem vegetal.

 

Fonte: vidaemestadocru

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