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Qualquer pessoa pode ficar com excesso de peso num determinado momento da sua vida – acontece. Contudo, depois de perceber o mecanismo – isto é, o que é que nos faz ganhar  peso e o que é que nos mantém no ciclo vicioso – o processo de perda de peso deveria ser feito uma única vez. Quando vemos alguém que precisa de fazer dieta sistematicamente, mesmo sem conhecer essa pessoa de lado nenhum, ficamos a saber duas coisas:

 

1)   Que ela não tem uma alimentação natural, de origem vegetal, predominantemente crua e baixa em gorduras.

2)   E se por acaso tem, ficamos a saber que essa pessoa não é consistente nos hábitos alimentares que está a tentar implementar – refiro-me ao típico cenário de comer bem durante 1 mês, voltar para os hábitos antigos durante uns dias ou semanas, voltar a comer bem durante umas semanas e assim sucessivamente. Oscilações nos hábitos alimentares produzem oscilações no peso – especialmente no início, enquanto há coisas a equilibrar no organismo.

 

O processo de perda de peso não precisa de ser um sofrimento e dor de cabeça. Não precisa de ser uma fase em que passamos fome e contamos calorias até a exaustão. Não é preciso ter disciplina. Não é preciso fazer actos heróicos. Basta aprender a fazer escolhas inteligentes e ter objectivos que vão para além do peso e da estética – assim sabemos que vamos manter os bons hábitos alimentares para sempre, mesmo depois de alcançar o nosso peso ideal.

Toda a gente acha que sabe como perder peso – “comer menos e fazer mais exercício” é desde sempre o mantra que as pessoas repetem, sempre que o assunto é perda de peso. E aí está o problema. À primeira vista parece que o raciocínio faz sentido, mas esta ideia está errada logo de raiz. Comer menos do que queremos e treinar mais é uma receita que permite ter algum sucesso a curto prazo, mas garante que vamos falhar e desistir da “dieta” a longo prazo, porque viver desta forma simplesmente não é sustentável.

Se repararmos na natureza, existem apenas 3 seres vivos que costumam desenvolver problemas de peso, e todos eles vivem numa casa de humanos: pessoas, gatos e cães (estes dois últimos, muitas vezes alimentados de forma inadequada por seres humanos com problemas de peso). De resto, os outros animais na natureza comem exactamente como deveriam comer e têm o aspecto que deveriam ter. Não vemos nenhum animal não domesticado a comer em excesso, a restringir o que deseja comer e a fazer mais exercício físico para manter a linha. É por isso mesmo que não encontramos problemas de peso entre os animais no reino animal – não vemos alguns magros, outros gordos, outros flácidos ou musculados - todos os animais da mesma espécie comem da mesma forma e têm o mesmo aspecto. Contudo, o mesmo já não é válido para os seres humanos e para os seus animais de estimação.

 

Porque é que os problemas de peso aparecem entre nós? Ou melhor, porque é que as pessoas acham que aumentam de peso?

- Mau controlo das porções de comida ingeridas – A grande maioria de pessoas pensa sempre que para perder peso precisa de cortar nas porções e comer menos. Esta é uma ideia da qual eu discordo fortemente, podendo até provar na prática como isto nunca funciona a longo prazo. As pessoas que mais controlam as quantidades de comida que ingerem são as pessoas com mais problemas de peso ou peso mais instável.

- Falta de exercício físico – Sim, o exercício físico é importante e ajuda-nos a manter a nossa vitalidade, boa eliminação e um corpo tonificado e harmonioso. Contudo, o facto de não fazer exercício físico não leva a aumento de peso...desde que tenhamos a alimentação adequada para a nossa espécie. Aliás, a maior parte dos animais não ficam com o peso afectado quando são colocados em habitats onde não conseguem ser muito activos. Porquê? Porque qualquer ser vivo é desenhado de modo a controlar a sua fome e saciedade de forma automática e natural em função do grau de actividade física que tem. Neste sentido, é normal ter mais apetite quando nos mexemos mais e ter menos apetite, se levamos uma vida sedentária. 

- Genes – Muita gente adora usar esta desculpa para “justificar” os seus problemas de peso. Já sabemos que “o gene da obesidade” existe, mas da mesma forma sabemos que isto não significa rigorosamente nada se o nosso estilo de vida e alimentação forem incompatíveis com o aumento de peso. Uma tendência para ter um problema não é uma sentença, é apenas isso – uma tendência.

 

 

 

O que a ciência nos mostra de várias formas é que os animais que no seu habitat normal comem sempre até ficarem mesmo satisfeitas, a longo prazo não precisam de comer nem menos do que isso, nem mais do que isso para ter uma saúde radiante. O mesmo se aplica a nós. Se seguirmos a alimentação e estilo de vida adequados para nós (fruta e vegetais em abundância; frutos secos e sementes com moderação, e eventualmente alguns alimentos integrais cozinhado sem gorduras), até a pessoa com metabolismo mais alterado vai perder o peso extra mais cedo ou mais tarde. 

Para alguns, saber apenas isto não chega – querem resultados mais rápidos. Nestes casos, a melhor forma de acelerar a perda de peso é aumentar a percentagem de alimentos crus (especialmente os vegetais de folhas verdes, dos quais praticamente toda a gente tem défice, e a fruta/vegetais de cor amarelada); eliminar os óleos, reduzir as fontes de gordura no geral, eliminar o álcool, e manter alguns carboidratos complexos para maior saciedade (p.e: quinoa, batatas, arroz, amaranto, etc – tudo preparado sem óleos ou azeite cozinhado). Alimentação viva e natural, muitos vegetais crus e alguns cozinhados limpos – acelera qualquer processo de perda de peso, sem necessidade de reduzir as porções de comida. Qualquer pessoa consegue comprovar isto na prática.

Todos os grandes estudos científicos conduzidos ao longo dos anos mostram sistematicamente a mesma coisa: quando o tipo de alimentação adoptado é baixo em carboidratos e rico em proteínas e gorduras temos um aumento das doenças e mortes. Os carboidratos não são o inimigo quando queremos perder peso – antes pelo contrário, é mesmo esse o caminho a seguir se queremos uma manutenção do peso ideal de forma sustentável. Mas por alguma estranha razão, até quando as recomendações são apresentadas de uma forma tão simplificada, as pessoas insistem em complicar, porque alguém nos fez acreditar que manter um peso ideal só pode ser feito com disciplina, esforço e uma força de vontade de ferro. Nada disso é verdade. A única verdade aqui é que quanto mais insistirmos em complicar o que é simples, mais complicada será a nossa vida. Quanto mais nos perdermos em teorias e “este disse isso enquanto o outro disse aquilo”, mais confusos vamos viver, e menos vamos saber o que comer.

Uma coisa engraçada em que reparo é que quantos mais problemas de peso e de saúde alguém tem, mais essa pessoa tende a perder-se em pormenores e a construir telhados, antes de ter as bases da casa. Normalmente são precisamente essas as pessoas que perante a recomendação de comer “fruta e vegetais em abundância; frutos secos e sementes com moderação; alguns alimentos integrais cozinhados sem gorduras como arroz, batatas, quinoa, etc.” muito antes de reter a ideia geral, já começam a preocupar-se com os pormenores:

1)   “Mas o arroz deve ser integral ou selvagem, não é? Se calhar dificilmente perco peso a comer arroz branco...” – dizem as pessoas, quando na realidade deveriam estar a pensar: “dificilmente vou perder peso a comer arroz, se entretanto ainda cozinho com gorduras, como fritos, bolos e pão com manteiga, bebo álcool e como frutos secos em excesso.” O tipo de arroz é completamente secundário, quando tudo o resto ainda está por mudar. Por experiência própria posso dizer que quando garantimos a base e mantemos uma alimentação 100% de origem vegetal, com predominância de alimentos crus e sem gorduras cozinhadas, conseguimos perder peso usando qualquer tipo de arroz, embora o arroz integral ou selvagem possam ter uma ligeira vantagem a nível nutricional. Mas se o problema for o peso, chegamos lá com qualquer arroz! Aliás, toda a gente sabe que eu e o João comemos predominantemente arroz basmati – não cria problemas digestivos, não há inchaços abdominais, a saciedade é garantida...e o peso mantém-se sempre estável. Podemos olhar para as pessoas que comem mais arroz, batatas e vegetais no planeta (como parte da sua dieta tradicional), e vamos ver que se trata de pessoas saudáveis e em boa forma física. A meu ver,muito antes de nos preocupar com o tipo de arroz que comemos, devemos preocupar-nos com a sua preparação e com que é que vamos combiná-lo – o resultado será um se comermos arroz com gorduras cozinhadas e sem vegetais (ou apenas com vegetais cozinhados) e será outro, muito diferente, se aprendermos a cozinhar sem gorduras e acompanharmos sempre o prato com uma generosa salada. Primeiro a base, depois os pormenores. 

2)   “Mas os sumos e batidos devem ser feitos sempre na hora, senão perdem nutrientes, não é? Tenho medo de comer ou beber algo que não foi feito na hora e já perdeu nutrientes...” – dizem pessoas que muitas vezes ainda comem pão, bolachas, alimentos enlatados/empacotados e refeições pré-feitas. Isto é mais um exemplo de preocupações com o telhado quando ainda nem as bases seguras existem. Aqui, mais uma vez, posso dizer que do ponto de vista do peso, da saúde, da qualidade nutricional e de qualquer outro factor que as pessoas valorizam, continuará a ser sempre melhor beber um sumo ou batido que foi feito umas horas antes, do que recorrer a pão, manteigas, compotas e café ao pequeno-almoço...porque é isso mesmo que acontece quando não começamos o dia com uma boa quantidade de fruta – mais cedo ou mais tarde ao longo do dia já nos apetece ir para os estimulantes e comer algo mais gorduroso ou no mínimo consistente – como massa, queijo, bolachas ou pão. E é assim que pessoas inicialmente preocupadas com as supostas perdas de nutrientes de algo cru que não foi cortado ou feito na hora, de repente dão por elas a mastigar uma pizza ou um pacote de bolachas ou chocolate, sem saber como chegaram a esse ponto de descontrolo.

 

 

Tudo isto para dizer que realmente só faz sentido preocupar-nos com os pormenores depois de garantir que temos a base e que mantemos pelo menos essa base de forma consistente. E a base é: alimentação 100% de origem vegetal, baixa em gorduras e com uma boa percentagem de alimentos em estado cru. Por vezes apenas isto, mantido de forma consistente, já elimina todos os problemas de peso. Enquanto estivermos a recuar e a ter recaídas com alimentos refinados, processados e de origem animal, tudo o resto que vai para além da base são pormenores que não deveriam preocupar-nos. Existem muitas pessoas que mantêm a base durante cerca de 1 mês, começam a obter aos poucos os resultados desejados e depois, por um motivo qualquer, perdem a motivação/ assustam-se/ caem num novo buraco emocional e voltam aos hábitos antigos, concluindo erradamente que afinal este estilo de vida não é para eles.

 

Para todas estas pessoas, a minha recomendação é a seguinte: antes de retomar o princípio mais básico da alimentação viva e natural, convém fazer uma boa análise do último deslize e identificar:

 

- em que circunstâncias aconteceu?

- o que o despoletou?

- o estado emocional teve alguma influência?

- que possíveis erros foram cometidos para facilitar a recaída?  

- o que podemos fazer para que o episódio não se repita mais?

 

 

Muita gente já sabe o que deve e não deve comer, mas que por algum motivo nem sempre encontra motivação para fazer a coisa certa. Com o tempo vi que cada pessoa é movida por coisas diferentes. Para alguns basta pensar no lado ético e visualizar todo o sofrimento, dor, hormonas e pus que estão a engolir com a comida de origem animal. Para outros, ajuda pensar no planeta – qualquer pessoa hoje em dia já sabe que a alimentação convencional com produtos animais é aquela que custa mais e   desgasta mais os recursos naturais. Para outras pessoas ainda, que vivem desligadas de si, ajuda muito não ligar a televisão, afastar-se da Internet e nem que seja uma vez na vida, comer à frente do espelho, de preferência sem qualquer tipo de roupa. Não se trata de provocar medo, nojo ou restrição alimentar. Trata-se de acordar. Abrir os olhos no verdadeiro sentido da palavra, fazer a conexão entre aquilo que comemos, o que pensamos, sentimos e a nossa aparência física. Para algumas pessoas o processo simplesmente acontece ao contrário – só depois de voltarem a ficar conectadas à sua verdadeira essência, só depois de recuperarem a auto-estima e começarem a viver de forma mais consciente, conseguem pensar também nos animais, nos recursos naturais e no planeta no geral.

 

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